PRAXIS ARCHAEOLOGICANORMAS DE REDACÇÃOCONTACTOSA ASSOCIAÇÃO
1 (2006)2 (2007)
neste número
  • Capa (PDF)
  • Índice (PDF)
  • Editorial
  • Um Sistema de Informação Geográfica...
    M. Osório e T. Salgado
  • Documentar para preservar
    M. Alçada
  • Gestão arqueológica em Faro: que futuro?
    D. Paulo e N. Beja
  • Da escavação ao museu: caminhos da informação
    A. Matos
  • Estudios de traceología y funcionalidad
    J. F. Gibaja Bao
  • Notas soltas sobre a "descoberta" da Arqueologia no século XIX
    O. Matos
  • Patrimônio Cultural Subaquático no Brasil: algumas ponderações
    G. Rambelli e P. P. A. Funari
  • Arqueología de Contrato. Una forma de minimizar el impacto...
    M. S. Solórzano
  • Inquérito Nacional à Actividade Arqueológica: uma segunda...
    M. J. Almeida
  • Normas de Redacção (PDF)
Resumen
Abstract
Número Completo
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Volume 2 (2007)
Documentar para preservar [*]
Resumo | Versão PDF
margarida alçada, Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais
p. 23-30
Desde a Antiguidade que o ser humano sente a necessidade de descrever, representar e transmitir o território que o rodeia, quer através da escrita, quer através de representações gráficas.

Figura 1

Fig. 1

Figura 2

Fig. 2

O que torna um edifício especial e insubstituível é não apenas o seu valor formal, mas o seu valor de informação enquanto registo/documento da vida de determinada sociedade. Que mensagens contém que nos são reveladas hoje e que pretendemos deixar para as gerações do futuro?

Figura 3

Fig. 3

Figura 4

Fig. 4

Informação é, pois, a palavra-chave para a definição do conceito de património e, consequentemente, para o seu correcto processo de salvaguarda e valorização.

Considerando o monumento como uma fonte insubstituível para o conhecimento do passado, a perda do seu significado constitui um empobrecimento irreparável. Em muitas situações, hoje, percebemos pouco mais que o interesse das estruturas ou a beleza das formas. Perdemos a alma, o conteúdo espiritual e intelectual que são a sua essência e justificação.

Figura 5

Fig. 5

Ao longo do tempo as mensagens podem sofrer modificações, acrescentos ou perdas que importa reconhecer, compreender e interpretar, no respeito pela capacidade informativa correspondente a cada fase da vida.

Figura 6

Fig. 6

Figura 7

Fig. 7

A colocação do património na esfera da semântica, distinguindo um significante (o valor formal) e um significado (o valor informativo), não só veio alterar a extensão do universo dos imóveis a preservar, mas provocou, igualmente, a evolução de atitude do arquitecto/conservador no respeito pelas marcas deixadas pelos diferentes períodos de vida.

Figura 8

Fig. 8

“The basis of all structural intervention is a comprehensive survey and analysis of the historical urban landscape as a way of expressing values and significance (...) as history must remain readable” (Memorandum de Viena, 2005).

Figura 9

Fig. 9

Figura 10

Fig. 10

Os arquivos do património, a documentação histórica, constituem-se, deste modo, como parte integrante do valor patrimonial de um edifício ou conjunto de edifícios e insubstituíveis para o seu processo de salvaguarda. Eles são cruciais para testemunhar os valores de autenticidade e para a compreensão do processo criativo que produziu determinado objecto, em determinado lugar, num determinado tempo.

Figura 11

Fig. 11

Figura 12

Fig. 12

É através da documentação histórica que podemos compreender a evolução do desenho, as alterações e acrescentos impostos pelo tempo, o carácter do lugar.

A caracterização é a tentativa de reunirmos todos os aspectos necessários à compreensão do lugar. Ao compreendermos os lugares onde as pessoas viveram, começamos a compreender a estreita ligação entre as pessoas e o seu património, entre as ideias e os objectos, entre os valores intangíveis e tangíveis.

Figura 13

Fig. 13

A caracterização pressupõe a leitura global –não apenas a recolha da informação sobre quem construiu determinado edifício, em que data ou em que estilo– mas o que o lugar, como um todo orgânico, significou no passado e significa, hoje, para nós.

Noutras palavras, de que modo os edifícios se relacionam entre si e com o território. Então, o conceito de património estende-se à cidade e à paisagem envolvente. A sua caracterização pressupõe a compreensão das complexas interdependências entre as acções e opções do passado que conduziram à realidade do presente.

Esta consciencialização do valor semântico do Património conduz-nos a novas exigências de acesso à informação e aos arquivos do Património numa dimensão nacional (mesmo transnacional), com vista a torná-los facilmente acessíveis ao público, aos investigadores e aos técnicos responsáveis pela salvaguarda desse Património.

Para tal, os inventários tradicionais deixaram de dar resposta. Sistemas de registo, cada vez mais complexos, adquirem um valor imprescindível para o conhecimento, a caracterização e a gestão dos bens patrimoniais.

Um Sistema de Informação para o Património terá que contemplar, forçosamente, as várias disciplinas envolvidas e o conjunto de informação produzida para diferentes fins em momentos diferenciados do tempo.

A DGEMN teve a clara percepção desta necessidade ao iniciar, em 1990, um Sistema de Informação que abrangesse as diferentes áreas que a salvaguarda do Património requer.

As novas tecnologias vieram permitir o desenvolvimento deste instrumento, possibilitando a integração e a inter-operacionalidade de informação, de natureza e proveniência diversificadas.

Figura 14

Fig. 14

Um Sistema de Informação permite:

  • Um múltiplo mas fácil conjunto de pesquisas, em resposta às necessidades de diferentes utilizadores;
  • A integração de informação de múltiplas proveniências;
  • A passagem de um serviço local, interno e fechado para um serviço externo, aberto e de acesso remoto;
  • A exploração de novos métodos de aquisição e transferência de informação e documentos, nomeadamente o carregamento à distância por produtores regionais;
  • A sistematização e optimização da informação com vista a alcançar a máxima eficiência no processo de conservação do Património;
  • A produção de novos dados em resultado da inter-operacionalidade entre as várias bases que compõem o Sistema.

A conversão dos arquivos tradicionais do património em fontes de informação pressupõe a sua transferência para suporte digital e a constituição de um arquivo online, respeitando na totalidade os atributos dos documentos originais, nomeadamente a escala.

Figura 15

Fig. 15

Este processo é imprescindível para a integração dos arquivos como fontes documentais de um Sistema de Informação para o Património, ao mesmo tempo que nos permite assegurar a salvaguarda dos documentos originais, constituídos por suportes com materiais e exigências de tratamento e armazenagem muito diversos.

Figura 16

Fig. 16

Considerando o valor das fontes documentais para a caracterização e correcta conservação do Património (no respeito pela autenticidade e pelos diferentes valores referidos), esta é, certamente, uma tarefa prioritária no processo de salvaguarda.

Figura 17

Fig. 17

A documentação convertida para suporte digital, de fácil acesso e difusão, pode ser facilmente partilhada e utilizada para o desenvolvimento de programas de intervenção, planos de salvaguarda e projectos turísticos tendo por base o Património.

Deste modo, o Património será usado como suporte de novas actividades que, valorizando a identidade própria de cada região, contribuem para o seu desenvolvimento sustentável.

Notas

[*] Comunicação apresentada ao Workshop APA “Documentação e Sistemas de Informação de Registos Arqueológicos”, realizado em Lisboa nos dias 11 e 12 de Novembro de 2005.

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