
Fig. 1

Fig. 2
O que torna um edifício especial e insubstituível é não apenas o seu valor formal, mas o seu valor de informação enquanto registo/documento da vida de determinada sociedade. Que mensagens contém que nos são reveladas hoje e que pretendemos deixar para as gerações do futuro?

Fig. 3

Fig. 4
Informação é, pois, a palavra-chave para a definição do conceito de património e, consequentemente, para o seu correcto processo de salvaguarda e valorização.
Considerando o monumento como uma fonte insubstituível para o conhecimento do passado, a perda do seu significado constitui um empobrecimento irreparável. Em muitas situações, hoje, percebemos pouco mais que o interesse das estruturas ou a beleza das formas. Perdemos a alma, o conteúdo espiritual e intelectual que são a sua essência e justificação.

Fig. 5
Ao longo do tempo as mensagens podem sofrer modificações, acrescentos ou perdas que importa reconhecer, compreender e interpretar, no respeito pela capacidade informativa correspondente a cada fase da vida.

Fig. 6

Fig. 7
A colocação do património na esfera da semântica, distinguindo um significante (o valor formal) e um significado (o valor informativo), não só veio alterar a extensão do universo dos imóveis a preservar, mas provocou, igualmente, a evolução de atitude do arquitecto/conservador no respeito pelas marcas deixadas pelos diferentes períodos de vida.

Fig. 8
“The basis of all structural intervention is a comprehensive survey and analysis of the historical urban landscape as a way of expressing values and significance (...) as history must remain readable” (Memorandum de Viena, 2005).

Fig. 9

Fig. 10
Os arquivos do património, a documentação histórica, constituem-se, deste modo, como parte integrante do valor patrimonial de um edifício ou conjunto de edifícios e insubstituíveis para o seu processo de salvaguarda. Eles são cruciais para testemunhar os valores de autenticidade e para a compreensão do processo criativo que produziu determinado objecto, em determinado lugar, num determinado tempo.

Fig. 11

Fig. 12
É através da documentação histórica que podemos compreender a evolução do desenho, as alterações e acrescentos impostos pelo tempo, o carácter do lugar.
A caracterização é a tentativa de reunirmos todos os aspectos necessários à compreensão do lugar. Ao compreendermos os lugares onde as pessoas viveram, começamos a compreender a estreita ligação entre as pessoas e o seu património, entre as ideias e os objectos, entre os valores intangíveis e tangíveis.

Fig. 13
A caracterização pressupõe a leitura global não apenas a recolha da informação sobre quem construiu determinado edifício, em que data ou em que estilo mas o que o lugar, como um todo orgânico, significou no passado e significa, hoje, para nós.
Noutras palavras, de que modo os edifícios se relacionam entre si e com o território. Então, o conceito de património estende-se à cidade e à paisagem envolvente. A sua caracterização pressupõe a compreensão das complexas interdependências entre as acções e opções do passado que conduziram à realidade do presente.
Esta consciencialização do valor semântico do Património conduz-nos a novas exigências de acesso à informação e aos arquivos do Património numa dimensão nacional (mesmo transnacional), com vista a torná-los facilmente acessíveis ao público, aos investigadores e aos técnicos responsáveis pela salvaguarda desse Património.
Para tal, os inventários tradicionais deixaram de dar resposta. Sistemas de registo, cada vez mais complexos, adquirem um valor imprescindível para o conhecimento, a caracterização e a gestão dos bens patrimoniais.
Um Sistema de Informação para o Património terá que contemplar, forçosamente, as várias disciplinas envolvidas e o conjunto de informação produzida para diferentes fins em momentos diferenciados do tempo.
A DGEMN teve a clara percepção desta necessidade ao iniciar, em 1990, um Sistema de Informação que abrangesse as diferentes áreas que a salvaguarda do Património requer.
As novas tecnologias vieram permitir o desenvolvimento deste instrumento, possibilitando a integração e a inter-operacionalidade de informação, de natureza e proveniência diversificadas.

Fig. 14
Um Sistema de Informação permite:
- Um múltiplo mas fácil conjunto de pesquisas, em resposta às necessidades de diferentes utilizadores;
- A integração de informação de múltiplas proveniências;
- A passagem de um serviço local, interno e fechado para um serviço externo, aberto e de acesso remoto;
- A exploração de novos métodos de aquisição e transferência de informação e documentos, nomeadamente o carregamento à distância por produtores regionais;
- A sistematização e optimização da informação com vista a alcançar a máxima eficiência no processo de conservação do Património;
- A produção de novos dados em resultado da inter-operacionalidade entre as várias bases que compõem o Sistema.
A conversão dos arquivos tradicionais do património em fontes de informação pressupõe a sua transferência para suporte digital e a constituição de um arquivo online, respeitando na totalidade os atributos dos documentos originais, nomeadamente a escala.

Fig. 15
Este processo é imprescindível para a integração dos arquivos como fontes documentais de um Sistema de Informação para o Património, ao mesmo tempo que nos permite assegurar a salvaguarda dos documentos originais, constituídos por suportes com materiais e exigências de tratamento e armazenagem muito diversos.

Fig. 16
Considerando o valor das fontes documentais para a caracterização e correcta conservação do Património (no respeito pela autenticidade e pelos diferentes valores referidos), esta é, certamente, uma tarefa prioritária no processo de salvaguarda.

Fig. 17
A documentação convertida para suporte digital, de fácil acesso e difusão, pode ser facilmente partilhada e utilizada para o desenvolvimento de programas de intervenção, planos de salvaguarda e projectos turísticos tendo por base o Património.
Deste modo, o Património será usado como suporte de novas actividades que, valorizando a identidade própria de cada região, contribuem para o seu desenvolvimento sustentável.
