Arqueologia versus Divulgação
As novas fronteiras do conhecimento arqueológico
Por outro lado, o desenvolvimento da chamada “arqueologia preventiva” produziu uma nova visão da actividade arqueológica, entendida por muitos como retardadora do progresso ao colocar entraves à livre expressão das iniciativas de natureza económica, mormente as que fazem parte do universo da construção civil e das grandes obras públicas ou privadas. Esta imagem do arqueólogo (“o que atrasa as obras” e já não o romântico caçador de tesouros ou dinossáurios) tem vindo a impor-se pouco a pouco perante o grande público, assumindo-se como tendência que representa um risco real para o processo de aceitação da arqueologia como profissão digna e necessária no contexto de uma sociedade moderna e informada.
Os arqueólogos muitas vezes se queixam que não conseguem (ou não sabem) passar devidamente para o público não iniciado uma mensagem que todos queremos que venha a ser a que, de futuro, se imponha: que as intervenções arqueológicas, sejam de cariz científico estrito ou de natureza preventiva (que não têm que ser menos científicas que as anteriores), não são meros exercícios de auto-deleite financiados pelo erário público ou pelas empresas de construção civil. A mensagem que há que impor é a de uma arqueologia como bem social, uma disciplina com regras científicas que produz conhecimento e fomenta a preservação da memória histórica das sociedades.
As questões que os profissionais de arqueologia têm que colocar a si próprios são muito simples: fazemos nós todo o possível para divulgar as nossas intervenções ao grande público? Esgotamos todos os meios disponíveis para informar devidamente os que financiam a nossa actividade e que, em última instância, possibilitam a existência desta profissão? Como agimos para justificar o que fazemos perante a sociedade, uma sociedade da informação e para a informação que solicita um discurso adequado e inteligível, um discurso muito diferente daquele que nós estamos habituados a produzir?
O Caderno Temático do terceiro número da revista Praxis Archaeologica é dedicado à apresentação e discussão de experiências, modelos e estratégias de fomento da divulgação da arqueologia entre o grande público, o que poderíamos considerar como “as novas fronteiras do conhecimento arqueológico”. Convidamos todos os arqueólogos e outros profissionais que lidam com o conhecimento, valorização e difusão do património arqueológico a participar com contribuições que abarquem todo esse mundo que vai da investigação à divulgação das actividades arqueológicas.
Para além das contribuições para o Caderno Temático, solicitamos que todos os arqueólogos, sejam profissionais liberais, colaboradores em empresas, funcionários de museus e autarquias, professores universitários ou bolseiros, colaborem com originais que se enquadrem na filosofia da revista, enunciada nas Normas de Redacção e Colaboração.
A data limite de apresentação de artigos para este número é 31 de Março de 2008.
