O inventário e a cartografia das estações arqueológicas efectuado nos últimos anos pelo Gabinete de Arqueologia do Município do Sabugal, no âmbito da carta arqueológica, sofreu um incremento metodológico, com a criação do Gabinete Municipal de SIG. O trabalho desenvolvido por este serviço, na criação e gestão de informação geográfica, proporcionou um novo contributo para o registo e inventariação, bem como para a própria gestão, análise e cruzamento dos dados. Numa primeira fase, procedeu-se à localização e à cartografia dos sítios com recurso a GPS, guardando a sua descrição numa base de dados, sob a forma de fichas individualizadas, possibilitando, numa fase posterior, o confronto dos diversos campos no decurso de estudos e análises geoarqueológicas. Pretende-se apresentar uma metodologia de trabalho que mostre como o cruzamento da actividade desenvolvida pelo Gabinete de Arqueologia e o Gabinete de SIG pode ser frutífera, ao nível da gestão e partilha de informação dentro do município e no alargamento do conhecimento proporcionado pelos estudos territoriais.
Desde a Antiguidade, o ser humano sente a necessidade de descrever, representar e transmitir o território que o rodeia, quer através da escrita quer por representação gráfica. Considerando o Património como fonte insubstituível para o conhecimento do passado, o valor informativo e documental que o caracteriza assume um papel preponderante com o desenvolvimento da sociedade da informação. Os inventários e os métodos tradicionais de produção e registo de informação deixaram de dar resposta. Necessitamos de uma metodologia sistemática para a produção e gestão de grandes quantidades de informação e da sua representação espacial: um Sistema de Informação para o Património.
Faz-se um balanço da actividade arqueológica urbana levada a cabo pelo Serviço de Arqueologia do Museu Municipal de Faro nos últimos anos, referindo os avanços, recuos, sucessos e falhanços, dificuldades difíceis de ultrapassar sem ajuda, etc. Tudo isto integrado numa perspectiva da arqueologia urbana em Portugal e nas suas necessidades mais urgentes. Dão-se, ainda, exemplos da arqueologia urbana britânica passíveis de serem aplicados em Portugal.
Idioma original: Português
Os trabalhos arqueológicos serão com certeza a maior fonte de ingresso, quantitativamente falando, de peças nas colecções dos museus portugueses. No entanto, que esforços são feitos no sentido de estabelecer uma interligação entre quem coordena uma escavação e o local onde os resultados desse trabalho serão definitivamente depositados? O que existe em cada uma destas partes que permita uma comunicação séria e clara entre elas e depois da segunda para o público que terá acesso a estes bens culturais? Será que existe algo que permita uma coerência neste processo!? A documentação recolhida na investigação arqueológica é o elemento mais importante para que o(s) museu(s), que têm a missão de guardar, conservar e divulgar estes espólios, possam ser eficientes e sérios no trabalho que lhes é confiado. Incorporar colecções com proveniência em escavações exige uma meticulosa atenção e um rigor sem excepção. Desta forma, os museus, assim como as bibliotecas no passado, têm a grande responsabilidade de utilizar e divulgar estas normas, fazendo com que todas as entidades que com ele se relacionem possam utilizar ferramentas que estejam de acordo com as suas necessidades. Para tal pensamos que estamos em tempo de alargar esta discussão e de tornar claras e gerais as regras a seguir em Portugal. Com base nestes pressupostos tentaremos delinear algumas práticas a seguir na comunicação entre quem tem a responsabilidade de documentar e registar a informação relativa ao trabalho de campo e aqueles que no museu irão dar continuidade a esse trabalho.
O objectivo deste trabalho consiste em introduzir o leitor na disciplina da Traceologia. Neste sentido, pareceu-nos interessante abordar diferentes temas relacionados tanto com o âmbito teórico-metodológico, como com as questões práticas. Entender como de desenvolvem os traços de uso, que características possuem, que tipo de microscópios se utilizam e quais os problemas que podem aparecer durante a análise do instrumental pré-histórico, são os primeiros passos que ajudarão a entender o funcionamento do método. No entanto, parece-nos que, para compreender as possibilidades e os limites da Traceologia, o melhor caminho é apresentar como exemplos os resultados obtidos por diferentes investigadores no estudo de instrumental proveniente de sítios com distintas cronologias. Como veremos, as suas análises não só se centram nos aspectos técnicos relativos à forma-função dos instrumentos, mas também pretendem dar explicações históricas centradas na organização económica e social das sociedades do passado.
Neste artigo faz-se uma abordagem ao pioneirismo da Arqueologia, durante o século XIX, recorrendo à análise de informação referente às notícias publicadas, em Portugal, sobra a temática e reportando-se a achados, igualmente, no estrangeiro. Analisam-se as instituições que ajudaram a desenvolver a prática arqueológica, bem como os sítios arqueológicos onde a descoberta de estruturas e os trabalhos de campo viriam a despertar maior interesse.
Universidade Estadual de Campinas
O presente artigo apresenta, em um primeiro momento, conceitos fundamentais sobre o patrimônio. Depois, discorre sobre a problemática que envolve o estudo arqueológico e a preservação do patrimônio cultural subaquático no Brasil, devido a distorções conceituais produzidas, ao longo de décadas, pela ação inescrupulosa da caça ao tesouro; chamando atenção à importância da Arqueologia Subaquática ser compreendida como uma especialização arqueológica e não como disciplina sui generis, e de seu posicionamento político diante dessa grave situação que ameaça o futuro desse patrimônio submerso.
O termo "Arqueologia de Contrato" é utilizado no Equador para fazer referência às prospecções e escavações de urgência. Este artigo analisa a informação arqueológica relativa às actuações de Arqueologia de Contrato na província de Orellana, no nordeste do país. Em primeiro lugar, sistematizou-se a informação recuperada, digitalizando-se os dados e gerando-se mapas temáticos. Desta forma foi possível produzir um sistema de registo arqueológico que se utilize em futuras actuações de salvamento na região amazónica equatoriana. Posteriormente, foram usadas as variáveis "número de elementos de cultura material" e "altitude" onde foi localizada a presença de cultura material para levar a cabo análises estatísticas, por meio do teste do chi-quadrado, que permitissem obter as relações existentes entre elas, para além de relacioná-las com a situação dos sítios arqueológicos nos diferentes tipos de zonas fluviais.
A Associação Profissional de Arqueólogos promoveu em 2006 um inquérito à actividade arqueológica em Portugal dirigido a vários tipos de entidade com acção neste domínio. Tendo em conta que a resposta foi significativa apenas entre os municípios, apresenta-se uma análise sobre a relação das autarquias com o património arqueológico, quer enquanto entidades promotoras, quer enquanto financiadoras e/ou clientes. Tecem-se considerações sobre a caracterização das actividades desenvolvidas e apoiadas, bem como dos serviços adquiridos, e sobre os recursos materiais e humanos disponíveis para a prossecução de trabalhos de âmbito arqueológico. Tendo em conta que foi promovido um inquérito semelhante em 2002, em alguns os pontos são estabelecidas comparações e quadros evolutivos entre os dados obtidos nas duas ocasiões.
